Vários estudos realizados no Brasil e no Exterior confirmam que a poluição do ar é responsável por prejuízos, problemas de saúde e morte nas grandes cidades. Os mais atingidos pela baixa qualidade do ar são as crianças e os idosos. As pessoas nessas faixas etárias têm um sistema imunológico frágil e são mais vulneráveis a certas doenças cardíacas e respiratórias.
A poluição atmosférica mata de 2,5 milhões a 4 milhões de pessoas por ano, em todo o mundo. A estimativa é do estudo intitulado The global burden of disease, da Organização Mundial da Saúde e do Banco Mundial, feito na Universidade de Harvard. Os números representam um perigo real e são proporcionais a enfermidades tradicionais como a malária e a tuberculose.
No caso do Brasil, estudo conclui que a poluição do ar aumenta consideravelmente as despesas dos cofres públicos brasileiros, custa pelo menos US$ 1 bilhão - cerca de R$ 2,3 bilhões - a cada ano, principalmente com as mortes ou tratamento de doenças associadas direta ou indiretamente à poluição. O ranking da sujeira mostra São Paulo (US$ 300 milhões) na ponta, seguido por Rio de Janeiro (US$ 250 milhões), Porto Alegre (US$ 180 milhões), Belo Horizonte (US$ 150 milhões), Curitiba (US$ 140 milhões) e Recife (US$ 10 milhões). “Calculamos as perdas em dinheiro, pois ninguém se impressiona mais com pilhas de corpos. Não interessa quantos milhões de pessoas morrem. O único jeito de sensibilizar as autoridades para a implementação de políticas públicas é calcular custos”, afirma o coordenador do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Hilário Saldiva. (Leia a íntegra do artigo.)

Pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG e da Universidade de São Paulo - USP aponta uma mudança de patamares: o grande vilão da poluição não é mais a indústria, mas o gás veicular gerado pelo crescimento acelerado da frota de veículos. As regiões metropolitanas mais prejudicadas estão localizadas na área mais rica do país, onde o uso de automóveis particulares e a demanda pelo transporte público são maiores.
Em outra pesquisa recentemente divulgada concluiu-se que a poluição do ar aumenta em 50% o risco de morte de recém-nascidos na cidade de São Paulo. O médico Nelson Gouveia, da Universidade de São Paulo (USP), analisou dados de 214 mil crianças nascidas na capital paulista e concluiu que a exposição das gestantes à poluição, em especial nos três primeiros meses, leva à diminuição do peso dos bebês ao nascer, um dos principais determinantes da saúde infantil. Estimou, ainda que indiretamente, outro impacto da poluição inalada pelas grávidas sobre os recém-nascidos: o aumento do risco de morte nos primeiros dias após o parto. (Leia a íntegra do artigo.)
Os meios de transporte são atualmente os maiores responsáveis por poluição nas grandes cidades (Leia). A recomendação é que “se puder escolher onde morar em metrópoles como São Paulo, Rio de Janeiro ou mesmo Porto Alegre, é melhor optar por uma casa ou apartamento o mais distante possível – a dois quarteirões, no mínimo – das ruas e avenidas mais movimentadas.” O motivo “é que os poluentes emitidos pelo motor de automóveis, ônibus e caminhões geralmente se espalham por um raio de até 150 metros a partir do ponto em que são lançados ao ar e transformam as grandes avenidas, a exemplo da Paulista ou da 23 de Maio, em São Paulo, por onde fluem dezenas de milhares de veículos por dia, em imensas chaminés que despejam sobre a cidade toneladas de partículas e gases tóxicos”.
| Constituição brasileira. Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. |
É curioso e lamentável verificar que os dados e estatísticas sobre os efeitos danosos à saúde das pessoas, as mortes e o crescimento dos custos para os sistemas de saúde não têm sensibilizado suficientemente aqueles que podem e devem tomar as decisões necessárias para reverter a tendência de crescimento da poluição do ar nas grandes cidades e suas consequências.
Antonio Nunes Jr