Que fatores mais pesam na hora da compra de um carro novo? Há inúmeros aspectos objetivos e subjetivos que influenciam na decisão. Economia com combustível e a flexibilidade (variedade de combustíveis com que se pode abastecer o veículo) são bastante relevantes. Qualidade, conforto e segurança são também muito importantes. Estilo, design e opcionais dos carros têm peso na decisão. Outros aspectos são custos de licenciamento, seguro e manutenção, para citar alguns. A maior ou menor importância de cada fator depende do comprador, do uso do veículo e de outras influências, como, por exemplo, opinião de familiares.

Quanto ao fator custo, a tradição no Brasil é considerar o custo de aquisição, possíveis descontos e outras vantagens oferecidas e facilidades para pagamento. Não há prática, exceto em aquisições de carros para frotas de algumas empresas e entidades, de avaliação do custo total de propriedade (em inglês, TCO - Total Cost of Ownership), em que se considera todos os custos envolvidos com a posse e uso do veículo (aquisição, financiamento, licenciamento, manutenção, consumo de combustível, seguro, depreciação, etc) ao longo de um período de análise (5 anos, por exemplo). Um veículo pode custar um pouco mais na hora da aquisição, mas ter esse acréscimo mais que compensado com a economia futura de combustível. O valor de revenda é um benefício importante a ser considerado na decisão.

A partir deste mês de abril, o consumidor tem nova informação na hora da compra de um veículo: a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE), que apresenta informações sobre o desempenho do automóvel em relação ao consumo de combustível na cidade e na estrada, e que indica os veículos mais econômicos.

ENCE 1 - ENCE 1

Cinco fabricantes de veículos que representam cerca de 50% das vendas do mercado brasileiro (Fiat, General Motors com a marca Chevrolet, Honda, Kia e Volkswagen) já aderiram ao programa. As Tabelas de Consumo / Eficiência Energética de Veículos Leves 2009 indicam uqe os dois modelos de carros flex mais econômicos são o Volkswagen Polo BlueMotion 1.6, que, com etanol, faz 9,5 km/l na cidade e 14,9 km/l na estrada e, com gasolina, faz 13,8 km/l na cidade e 21,2 km/l na estrada, e o Fiat Mile Way Economy 1.0, que, com etanol faz 10,8 km/l na cidade e 13,2 km/l na estrada, e com gasolina, faz 15,7 km/l na cidade e 19,2 km/l na estrada. Dentre os carros a gasolina o destaque é para o Kia Picanto EX3/LX3 1.0 Manual que faz 16,2 km/l na cidade e 21 km/l na estrada.

A etiquetagem veicular coloca o Brasil na lista dos países que desenvolvem programas de eficiência energética e de uso racional de combustível em veículos, como Estados Unidos, Japão, Austrália, China, Canadá, Cingapura e países da União Européia. Nos Estados Unidos, o último Guia de Economia de Combustível publicado indica que o Prius da Toyota e o Civic híbrido da Honda lideram o ranking de economia em combustível dos modelos 2009, relação encabeçada por seis elétricos híbridos. Cabe ressaltar que os testes de desempenho realizados no Brasil (realizados em laboratório, conforme norma ABNT NBR 7024, com ciclos de condução e combustíveis padrões) são diferentes dos testes realizados nos Estados Unidos.

O consumidor brasileiro passa a dispor de importante informação para sua decisão de compra de novo carro, o consumo de combustível, que afeta o meio ambiente e também aquele “órgão bastante sensível do corpo humano: o bolso”.

Antonio Nunes Jr.

Vários estudos realizados no Brasil e no Exterior confirmam que a poluição do ar é responsável por prejuízos, problemas de saúde e morte nas grandes cidades. Os mais atingidos pela baixa qualidade do ar são as crianças e os idosos. As pessoas nessas faixas etárias têm um sistema imunológico frágil e são mais vulneráveis a certas doenças cardíacas e respiratórias.

A poluição atmosférica mata de 2,5 milhões a 4 milhões de pessoas por ano, em todo o mundo. A estimativa é do estudo intitulado The global burden of disease, da Organização Mundial da Saúde e do Banco Mundial, feito na Universidade de Harvard. Os números representam um perigo real e são proporcionais a enfermidades tradicionais como a malária e a tuberculose.

No caso do Brasil, estudo conclui que a poluição do ar aumenta consideravelmente as despesas dos cofres públicos brasileiros, custa pelo menos US$ 1 bilhão - cerca de R$ 2,3 bilhões - a cada ano, principalmente com as mortes ou tratamento de doenças associadas direta ou indiretamente à poluição. O ranking da sujeira mostra São Paulo (US$ 300 milhões) na ponta, seguido por Rio de Janeiro (US$ 250 milhões), Porto Alegre (US$ 180 milhões), Belo Horizonte (US$ 150 milhões), Curitiba (US$ 140 milhões) e Recife (US$ 10 milhões). “Calculamos as perdas em dinheiro, pois ninguém se impressiona mais com pilhas de corpos. Não interessa quantos milhões de pessoas morrem. O único jeito de sensibilizar as autoridades para a implementação de políticas públicas é calcular custos”, afirma o coordenador do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Hilário Saldiva. (Leia a íntegra do artigo.)

São Paulo - Cor de chumbo: poluentes dos carros saturam o ar paulistano. Foto de Jose Luis da Conceição/AE

Pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG e da Universidade de São Paulo - USP aponta uma mudança de patamares: o grande vilão da poluição não é mais a indústria, mas o gás veicular gerado pelo crescimento acelerado da frota de veículos. As regiões metropolitanas mais prejudicadas estão localizadas na área mais rica do país, onde o uso de automóveis particulares e a demanda pelo transporte público são maiores.

Em outra pesquisa recentemente divulgada concluiu-se que a poluição do ar aumenta em 50% o risco de morte de recém-nascidos na cidade de São Paulo. O médico Nelson Gouveia, da Universidade de São Paulo (USP), analisou dados de 214 mil crianças nascidas na capital paulista e concluiu que a exposição das gestantes à poluição, em especial nos três primeiros meses, leva à diminuição do peso dos bebês ao nascer, um dos principais determinantes da saúde infantil. Estimou, ainda que indiretamente, outro impacto da poluição inalada pelas grávidas sobre os recém-nascidos: o aumento do risco de morte nos primeiros dias após o parto. (Leia a íntegra do artigo.)

Os meios de transporte são atualmente os maiores responsáveis por poluição nas grandes cidades (Leia). A recomendação é que “se puder escolher onde morar em metrópoles como São Paulo, Rio de Janeiro ou mesmo Porto Alegre, é melhor optar por uma casa ou apartamento o mais distante possível – a dois quarteirões, no mínimo – das ruas e avenidas mais movimentadas.” O motivo “é que os poluentes emitidos pelo motor de automóveis, ônibus e caminhões geralmente se espalham por um raio de até 150 metros a partir do ponto em que são lançados ao ar e transformam as grandes avenidas, a exemplo da Paulista ou da 23 de Maio, em São Paulo, por onde fluem dezenas de milhares de veículos por dia, em imensas chaminés que despejam sobre a cidade toneladas de partículas e gases tóxicos”.

Constituição brasileira. Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

É curioso e lamentável verificar que os dados e estatísticas sobre os efeitos danosos à saúde das pessoas, as mortes e o crescimento dos custos para os sistemas de saúde não têm sensibilizado suficientemente aqueles que podem e devem tomar as decisões necessárias para reverter a tendência de crescimento da poluição do ar nas grandes cidades e suas consequências.

Antonio Nunes Jr

Em vários países, cresce de modo acelerado a opção por veículos elétricos. Isso acontece pelas mais diversas razões, como, por exemplo, necessidade de redução de importação de petróleo e derivados e redução das emissões de poluentes atmosféricos locais e globais, ou razões econômicas, preocupação com a saúde das pessoas e com a mitigação das causas das mudanças do clima.

A venda de motonetas, carros híbridos, ônibus elétricos a bateria e híbridos, veículos para serviços urbanos e outros está crescendo nos Estados Unidos, Europa e em vários países da Ásia. Há planos de várias montadoras e de outras empresas para lançamento e novos modelos de negócios para carros elétricos. Governos (federal, estaduais e municipais) de diversos países oferecem diversos incentivos, visando o maior uso de veículos com tração elétrica, por reconhecerem seus benefícios intrínsecos. Várias empresas e entidades públicas e privadas têm também instituído programas para incentivar seus empregados a usarem veículos elétricos, bem como substituído veículos convencionais de suas frotas, menos econômicos e mais poluentes, por elétricos a bateria ou elétricos híbridos.

Algumas perguntas que circulam em minha mente são:

  • Porque não está acontecendo algo semelhante (com intensidade) no Brasil?
  • O que faz com que os governos federal, estaduais e municipais e suas empresas estejam, exceptuando-se algumas raríssimas exceções, tão distantes deste tema?
  • Porque não há ainda um movimento efetivo das empresas e de outras entidades no sentido de adotarem veículos elétricos em suas atividades (de âmbito interno e externo) e de incentivarem o uso pelos seus colaboradores, fornecedores e clientes?
  • O que explica ser tão modesta a pesquisa e o desenvolvimento neste tema nas universidades e centros de pesquisa brasileiros?

Estou certo de que não há uma resposta única nem simples para essas questões.

Antonio Nunes Jr